Mulheragem

Comemoração do 1 000 059.º Aniversário da Arte

Para a comemoração do 1 000 059.º Aniversário da Arte convidámos três ilustradoras da Região Centro — Ana Biscaia, Beatriz Rodrigues e Rosário Pinheiro — a escolherem e desenharem 12 autoras femininas e feministas.

E agora temos os retratos de Agustina Bessa Luís, Ana Hatherly, Clarice Lispector, Hilda Hilst, Ilse Losa, Judith Teixeira, Maria Keil, Maria Lamas, Maria Velho da Costa, Matilde Rosa Araújo, Natália Correia e Sophia de Mello Breyner Andresen a ocupar temporariamente as paredes do Café do Teatro, atualmente com 13 painéis exclusivamente de escritores masculinos.

A exposição “Mulheragem” (e que outro nome poderia ter?) inaugura no dia 17 de janeiro, segunda-feira, às 19h00 e ficará até 1 de abril. A iniciativa inclui ainda a troca de correspondência entre mulheres autoras,num diálogo entre gerações, estilos, geografias e vontades.

Ilustrações de Ana Biscaia

Ilse Losa, Maria Keil, Maria Lamas e Matilde Rosa Araújo

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Ilustrações de Beatriz Rodrigues

Ana Hatherly, Clarice Lispector, Hilda Hislt e Maria Velho da Costa

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Ilustrações de Rosário Pinheiro

Agustina Bessa-Luís, Judith Teixeira, Natália Correia e Sophia Mello Breyner Andresen

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O QUE É O ANIVERSÁRIO DA ARTE?
Segundo o artista francês Robert Filliou, seguidor da corrente artística Fluxus, há um milhão e cinquenta e nove anos, precisamente a 17 de janeiro, alguém deixou cair uma esponja seca numa tina com água e a arte nasceu. A 17 de janeiro de 1974, ainda a revolução não ia no Carmo e já o multifacetado artista pluridisciplinar, Ernesto de Sousa organizava o 1 000 011.º Aniversário da Arte no Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC), a primeira em Portugal.
Assim são os artistas, a frente de qualquer batalha, o anúncio de boa sorte, os cometas que iluminam a noite mais escura.


2022

Este ano voltamos a celebrar em Viseu o Aniversário da Arte, desta feita em parceria com o Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC), o Café do Teatro. Convidámos três ilustradoras da região centro (Ana Biscaia, Beatriz Rodrigues e Rosário Pinheiro) a desenharem retratos das suas autoras femininas e feministas de eleição, para expor no Café do Teatro (atualmente com 13 retratos de 13 escritores homens em painéis de azulejos). A exposição “Mulheragem” (porque lhe chamar uma homenagem?) será acompanhada de cartas de mulheres, autoras, dramaturgas e artistas a outras autoras de sua eleição num diálogo entre gerações, estilos e geografias. Contamos desta forma ocupar o espaço público, incluindo o espaço comercial, com imagens de heroínas, responsáveis pela nossa emancipação, libertação e lugar no mundo, contribuindo para o recontar de muitas histórias que tantas vezes ficam na sombra, ofuscadas pela promoção dos heróis e artistas (frequentemente masculinos) do cânone oficial.


2021

O Teatro Viriato escolheu esta data para iniciar a sua temporada, nomeou Ernesto de Sousa para padrinho da arte de 2021, e celebrou o nascimento da arte, brindando ao seu futuro e convidando para se juntar à festa parceiros de longa data e novos cúmplices.

Do Fluxus ao Vale do Côa, do futuro aos seus primórdios, é a arte em toda a sua potência mutante e transformadora, que queríamos celebrar o ano inteiro através do encontro entre as nossas ideias num espaço comum.

Queríamos levantar o nosso copo e fazer este brinde na vossa companhia, ao vivo, in locco, mas mais uma vez os tempos nos exigem que ocupemos o espaço da possibilidade com toda a elasticidade que o nosso músculo da imaginação permite.

E assim fizémos.

Como o fez Ernesto de Sousa, quando anunciou a nossa revolução brindando à liberdade antes do tempo.

Como o fizeram tantos artistas, sem rede, mas também sem pejo, correndo todos os riscos para dar voz às nossas ansiedades e desejos como se não houvesse amanhã, podendo nós viver hoje com tanto, graças a todos os que nos precederam.

As portas físicas do teatro fecharam pela segunda vez desde o início da pandemia, mas a luz continuou acesa no palco digital onde vos apresentámos o que andámos a fazer até ao último minuto de portas ainda abertas. 

O futuro é sempre incerto.

Mas como sempre, a arte e os seus devotos artistas continuaram a respirar, a ensaiar, a compor, e a entregarem-se sem rede e toda a garra a este lugar tão frágil como o mundo.

E nós, fiéis guardadores dos sonhos, registámos os seus passos para podermos partilhar cada gesto convosco.

Patrícia Portela, Direção Artística

janeiro 2021


1974

Círculo de Artes Plásticas de Coimbra
UMA FESTA PARA CELEBRAR O 1.000.011° ANIVERSÁRIO DA ARTE

Ernesto de Sousa, convite para o evento, 1974. 

Queridos Amigos
Em 1963 um amigo nosso, Robert Filliou, ao escrever um poema intitulado “Histórias Segredadas da Arte”, teve a intuição de que tudo tinha começado em 17 de Janeiro há um milhão de anos. Como a existência do Homem sobre a Terra está verificada precisamente, há cerca de um milhão de anos, o arbitrário daquela data torna-se secundário, e, é pacífico proclamar:
HÁ UM MILHÃO E 11 ANOS ARTE E VIDA HUMANA EXISTIAM-SE E CONFUNDIAM-SE… PORQUE NÃO CELEBRAR ESTA DATA?...
… numa FESTA, sem arte (convencional) mas que seja ela própria uma verdadeira afirmação de identidade possível e necessária entre a Arte e a Vida?
Para isso NÓS vamos-nos reunir no C.A.P., em Coimbra, com a ideia maior de um convívio simples, gratificante e generoso. ESTAR JUNTOS alegremente e amigavelmente – e saber que isso mesmo se verificará em mais alguns pontos do mundo, num espírito comum. Já o ano passado, em Aix-la-Chapelle se celebrou esta festa. Foi um êxito: houve largadas de balões, música, cerveja, centenas de velas acesas e bolo de aniversário num salão do séc. XVIII cedido pelo Museu local. Este ano repetir-se-á na mesma cidade, em Berlim (onde estará Robert Filliou), em Coimbra, porventura no Canadá e noutros sítios. Enviaremos a uns e aos outros as nossas congratulações e lembranças, a pretexto da Arte e para que seja possível que ARTE e VIDA SE CONFUNDAM em vez de se divorciarem: “A ARTE DEVE VOLTAR AO POVO, AO QUAL ELA PERTENCE”.
A qualquer hora que te convenha VEM TER CONNOSCO. E SE TE FOR POSSÍVEL TRAZ QUALQUER COISA: uma ideia fecunda para um divertimento bom qualquer; um bolo ou muitos bolos; uma garrafa de belo vinho tinto (ou outro, e não te esqueças dos copos, mesmo de papel); velas para fazermos iluminações à noite (e mandarmos uma vela simbólica aos nossos amigos de longe); fitas, panos ou papel para ornamentações, etc, etc. MAS SOBRETUDO VEM TU PRÓPRIO, PARA UM GRANDE ABRAÇO; UM GRANDE APERTO DE MÃO COLECTIVO. Não vais por isto esquecer os teus problemas, e os dos outros que te preocupam, vais talvez é ficar mais confiante para os enfrentar depois. Na melhor das hipóteses. Seja como for: um dia de alegria, será pedir muito? Julgamos que não. E por isso vamos terminar com as palavras do nosso amigo, o “petit Robert”:
POR UM DIA AO MENOS; DEMOS LUGAR À ALEGRIA; AOS DIVERTIMENTOS… TAL COMO ACONTECE NO CARNAVAL, DEIXEMOS CORRER O FIO! TU E A TUA FAMÍLIA; OS TEUS AMIGOS; O TEU “PÚBLICO”, FESTEJAI SE VOS APETECER, E TANTO QUANTO VOS APETECER: PROPAGAI A NOTÍCIA, A ESPERANÇA. CONVIDAI TODAS E TODOS, E ESPECIALMENTE TODOS OS HOMENS E MULHERES QUE MANEJAM AS ALAVANCAS MAIS OBSCURAS DA GIGANTESCA INDÚSTRIA ARTÍSTICA: DOMÉSTICAS, CONDUTORES, GUARDAS, CONTÍNUOS, SECRETÁRIAS, DACTILÓGRAFAS, GRÁFICOS – E, BEM ENTENDIDO, OS “IRMÃOS E AS IRMÃS INIMIGAS” DO MUNDO ARTÍSTICO: ARTISTAS, “MARCHANDS”, COLECCIONADORES, CRÍTICOS, DIRECTORES DE MUSEU e GALERIAS… POR UM DIA, AO MENOS, RECONCILIADOS…
 

VAMOS CELEBRAR?

 
Com Robert Filliou, Ernesto de Sousa, Círculo de Artes Plásticas                                                                          Coimbra
N.B. A morada do C.A.P. é R. Castro Matoso, 18. Coimbra


1973